domingo, maio 23, 2010

(Eternidade de segundos - P.M)


Como poderia eu não duvidar
Das incógnitas desta vida,
Já que vivo entre instantes
A brincar de formas sonhadas
Em dias de constelação vivida

Em cada coincidência do além
Com estes planos inominados
Troco condutas e essências
Por infinitos improvisados

No envolvimento das sombras
Com as eras partidas,
Me perco em universos...
Em cada alma perdida

Nos rastros da imensidão
Na simples voz do segredo,
Releio estrelas a sussurrarem
Ecos, teorias e enredos...

Caído entre esferas
E espelhos deste mundo,
Traço reflexos inteiros...
Na eternidade de um segundo.

sábado, maio 15, 2010

(Alfabetos Inominados - P.M)


Jamais busquei entender as dimensões
Nem se pudesse, o faria
O que me impressiona são os sonhos,
Esferas de nuances imotivadas
Vestígios de outros dias.

Entre paredes úmidas
Evaporo com as sombras
Consentindo com a vasão,
Em cantos improvisados

Tateio almas
Reflito entre atos
Decorando mistérios,
E alfabetos inominados...

Meço planos,
Me perco em distâncias,
Perante horas aconselhadas.
Abraçando enredos de tudo
Em completas visões do nada.

quinta-feira, maio 13, 2010

(Mistérios Íntimos - P.M)


As lembranças,
Já não me consomem
De vazios inteiros.

Já não são mistérios íntimos
Neste céu de nevoeiros.

Agora, a noite canta
Na sinceridade dos meus sonhos,
Intercalando falas...
Paixões que componho.

quarta-feira, maio 12, 2010

(Alma Sanguínea - P.M)



Se eu pudesse descrever
A alma sanguínea
No corpo de minha corrente
Provavelmente,
Teria trocado a vida pela morte
Muito antes de nascer.

Não acho que a morte seja algo ruim, e nesta vida, somente a sinceridade da emoção, que é uma das poucas coisas que vem da alma, me parece coexistir com outros planos (morte) de maneira plena. Assim sendo, a unica forma inteira de encarar os sentimentos diante da emoção que nos causa alguns aspectos terrenos, seria atravessar a vida e ir de encontro com a sinceridade maior.
Nascimento nestes anos é fase, o resto, é o que não se tem. Eternidade perdida. Ausencia sentida pra quem sabe que em algum lugar, existe uma metade do eu superior a nos esperar. Bem além dos corações banalizados desta fase. Nesta vida ainda nos faltam peças para o contato pleno com o todo. O que temos são asas a se desenvolverem para um futuro mais pleno, e algumas vontades corrompidas pelos karmas terrenos. E diante disso, nesta existência, não posso acreditar em conformidade inteira que não ande lado a lado com a mentira. Sonhos cortados pela meio termo desta vida. O universo esta em nós, mas nós não estamos inteiramente no universo, ainda.

segunda-feira, maio 10, 2010

(De quem serão estes passos? - P.M)


De quem serão estes passos?
Traduzindo meus atos
No rascunho de revelações
Que mal me cabem nas mãos

Sem perceber os sentidos
Da razão e suas verdades
Vejo anestesia do cotidiano
Em vestígios de brevidade

De todas as pretensões,
A que melhor encanta é a do nada
Nascendo de sombras vazias
Em sistema de liberdade parada

Decifro reticências, completo paciências
Alugando conselhos de causas esquecidas
Diluindo cores, idolatrando palavras
Diante da superstição das horas
E belezas desta vida.

Redijo contradições
Acobertando saídas
(Diante de toda direção consumida)

Transformo asas, seres, detalhes
Em paradoxos da simplicidade...
Retribuindo universos de emoção
Feito mortal diante da eternidade.

quinta-feira, maio 06, 2010

(Os seus beijos são cometas - P.M)


Os seus beijos são cometas,
Rasgando sonhos vazios
Diluindo horas mal planejadas
Em doses de cotidianos tardios

Quem sabe assim eu decore,
Os disfarces em meus egoísmos
Trocando segredos repetidos
Por paixões mais sinceras

Talvez eu entenda,
Sem razões ou partidas
Seus abraços inteiros
Desmascarando os atos
E a intenção desta vida

Viveria  até sem promessas
Sem prazos, signos ou trincheiras
Me perderia em seus laços
Coexistindo em novas maneiras.

quarta-feira, maio 05, 2010

(Ligeira vida reflete - P.M)



Ligeira vida reflete
Como alma a escorrer
Imagem sonhada em vales
De calma ilusão a convencer

Mal se cria em motivos
Simbolos raros e definição,
Sendo ausente, é sentido
De sombra, distância e vazão.

Em dormência, me acolhe
No encontro do esquecimento
Com a lembrança que renasce
Do vazio e eternos momentos.

segunda-feira, maio 03, 2010

(Para o quadro - P.M)



A impessoalidade guarnece
Em cantos esparsos
Esta vida com toques
De almas sem tatos

Em sentidos de paz,
No interior de olhos calados
Transita-se no feliz aconchego
Da melancolia e seus quadros

Nos detalhes que nascem
De objetos e seus fundos
Como a mais bela harmonia
Dos movimentos estáticos

Repousando suspiros
Nos abrigos do que não se deseja
Em lugares banhados
Por fantasmas em suas naturezas.

sábado, maio 01, 2010

(Nos sonhos existem coincidências - P.M)



Nos sonhos existem coincidências
Que mal pressinto na palma das mãos
Percorrendo os atos de dias virados
Nas faces sombrias de toda ilusão...

Retido nas asas do segredo,
Viro vestígio de partida e realidade
Seguindo presença de vago enredo
Feito um intruso na razão da eternidade...

Na mortalidade da lembrança, esqueço
Da pessoalidade acordada em estados
Presumindo sentidos que não mais cicatrizam
A mentalidade das dimensões e seus dados.

Como podemos lembrar de algo que somos obrigados a esquecer?

quarta-feira, abril 28, 2010

(Não busque em verdades - P.M)


Não busque em verdades tudo o que se perdeu no teu ego
Nem deixe a ausência brincar de sentido com suas vontades
Acredite no encontro sincero do ser a margem de tudo o que se é
Sem envolver-se por demais nas correntezas carentes desta vida.

Assim irá de encontro com os aspectos livres de suas escolhas
Nas possibilidades de tudo o que existe até sem razão notada
A te envolverem como luzes vibrantes de intuições pacíficas
Nos caminhos traduzidos em todo significado de liberdade calada.

Colha da existência somente os olhares sinceros de sua alma
Sem esquecer a ti mesmo nas causas dos prazeres deste plano
Pois a vida não precisa de significados para abraçar-te
Basta que o além dos sentimentos nao se distancie destes anos.

(Pedro Melo - 28-04-2010)

sábado, abril 24, 2010

(Já não me limitam as dúvidas - P.M)


Já não me limitam as dúvidas
Nem me possuem as evidências,
Pois a razão não mais causa fascínio
Nos sentidos ocultos desta existência.

Nem o tudo, ou mesmo o nada
Abrigam o segredo da vida
Apenas a imaginação semeada
Em cada liberdade mantida...

E se os sonhos nos levam
Aonde nascem as verdades,
Nas escolhas do agora, ecoam...
Caminhos eternos de brevidade.

terça-feira, abril 20, 2010

(Corações Amordaçados - P.M)


Se o riso forçado, fosse motivo de alegria
Qual imagem a sua mais forte cólera veria?
Simulando posturas no esconder dos estados
Reagindo feito aço, no acolher de um só lado

Do que são feitos estes desesperados
Que não se rendem ao que sentem,
Serão almas do medo?
Reféns de ilusão aparente?

Seres da mais bruta atuação,
São fantasmas destes planos
A persuadirem a verdade sagrada
Nas feições de seus enganos...

Pesados, jamais crescem do que são
Ao separarem a essência do fardo:
Mas se está a respirar e não te rendes
Não é vivo, não é morto e nem contradição
És espirito sem resposta, coração amordaçado.

ALTER-BIOGRAFIA X AUTO-EGO (Felipe Rey)

Sou
Seco
Pró-seco arredio
Rascante
Rachante vadio
Sou quente/frio
De vez em quando
Quando em quanto
Solto risadas
Gargalhadas no cio
Também derramo
Um ramo
De lágrimas por dentro
Contudo não me dou de graça
A qualquer
Contentamento.

segunda-feira, abril 19, 2010

(Queria que o relógio dos anos - P.M)


Queria que o relógio dos anos
Renunciasse das horas
Entretendo os segundos
Nos gestos de um vôo lento.

Abraçando os passáros
Nas asas do destino,
Em constelações de planos
No infinito dos sentimentos...

Desenhando na eternidade
Os olhos desta vida
Em motivo a despertar
A mais presente das partidas

Regendo na liberdade
Assim como a um irmão
Elementos de um só anseio
Na verdade desta ilusão.

sexta-feira, abril 16, 2010

(Inconformidades - P.M)


As inconformidades são como uma intervenção cósmica da realidade. Alimentando-se dos reconhecimentos anônimos, de oscilantes desejos encarnados nas condições frias da verdade. Acordam ilusões, vozes vazias, análises de tudo o que não acontece por não existir em si mesmo. É a aparência do que se enxerga quando se está retido em avalanches de matérias que desafiam os planos mudos. É contradição que desagua em necessidades desnecessárias, vínculos subjugados por prisões passivas, ideais vagos em audácias impossíveis. Confidências inconfessas nas faces do segredo. São palavras perdidas em todas as formas de não se retratar a vida. A razão admitida em reflexos de visões perdidas. Uma fonte carente de novidades sinceras, são como fogo que se acende em dias de chuva e velas. Improvisos constantes que desafiam os minutos das horas. As inconformidades são o elo perdido de semblantes ocultos a delirarem nos jardins da consciência pesada. É unidade desafiada por todas as moléculas dançantes nos terrenos da dúvida. Linha imaginária em descobertas sem relento de paz, sentenças tênues de ciências brancas, fórmulas rasas em trilhas de analogias vagas. Asas inertes pelo alvo egoísta deste momento único. Notas que não podem ser tocadas por mãos calejadas de inocência. Alfabetos que regem o espírito calado. Razão tímida na eternidade parada em gavetas do além.

quarta-feira, abril 14, 2010

(Portos do meu peito - P.M)


Em minhas cinzas virtudes,
Onde mal consigo enxergar
Tudo é chuva de pensamentos
Destas nuvens a improvisar.

Em segundos de essência,
Confundindo o pouco que resta
Vou brincando de transparência
Como alma perdida entre frestas.

Pois jamais poderia, eu propor...
Nos campos abertos da existência
Assumir gesto, mesmo que firme
Em traço ausente de qualquer dor.

Pois nem a mais livre felicidade,
Ou a mais alegre das liberdades,
Poderiam entreter meu coração
Nas obras partidas de meus feitos.

Somente a tristeza amiga,
Ancorada em emoção
Desafoga o sentimentos parados
Nos portos do meu peito.

(Dedicada a letra da música Há Tempos do mestre Renato Russo que diz:
"Tua tristeza é tão exata, e hoje em dia é tão bonito, já estamos acostumados, a não termos mais nem isso")

sexta-feira, abril 09, 2010

(Em dias de noite - P.M)


Em dias de noite, abrigam-se flores
Destas que não se podem colher,
Mas se tens imperfeições, não fujas, fica...
Plante estrelas nos jardins do alvorecer.

Não fique mudo perante o coração.
Mergulhe nos raios regidos d´alma...
Alimentando a si próprio em essência,
Nas sementes pacíficas da calma.

Brinda as constelações do ser
Sem ilusões de sentimentos
Nas intenções emotivas...
Da solidariedade de cada momento.

Voe nos casulos da existência,
Nas coincidências de outros planos
Sem apagar-se em consciência
Nos fantasmas destes anos.

Regue teus universos, além
Nas profundezas espirituais...
Esqueça as razões perdidas,
Na passagem desta vida:
Cria-te nas horas da eternidade.

Na liberdade das asas,
Nos sentidos de teus sonhos...
Nos mistérios escondidos
Em presenças doutros mundos.

sábado, abril 03, 2010

(Regência de um sono profundo - P.M)



Que instante é este que me acomete
Coisa viva sem qualquer definição,
Será segundo eternizado, em partida
Na liberdade de toda a emoção?

Que estado será este, livre e tão só
Me encontrando ao me perder
Na ausência que guarnece,
Cifras nos sussurros dos anjos...

Qual fração da eternidade será esta?
Que nos resgata de todas as carências
Das porções do universo aparente
E nos faz sentir coisa única por inteira?

Qual o nome deste delírio?
Que emudece tudo o que faz sentido
Para nos acordar na transformação...
Da regência de um sono profundo.

(Dedicado ao centenário de Chico Xavier)
Cifras: Combinação secreta de algarismos ou letras,
para abrir uma fechadura, segredo.

(Entre o Tédio e a Triste Sina - P.M)


Entre o tédio e a triste sina,
Criam-se pensamentos ao luar
Bem na fronteira do que fascina,
Com o reflexo do que não quer calar.

Nem mesmo a hora, ou os minutos,
Sabem bem o porque desta existência;
Então se transitas entre vagos mundos:
Nao desepera-te; Tenha paciência!

Doa as palmas aos anjos do alvorecer,
E em teus enredos, jamais esqueças
Não lute contra o que há de ser...
Ama-te os confins da existência.

sexta-feira, abril 02, 2010

(Meu Universo a vagar - P.M)


Hoje meu universo foi caminhar
Livre de provas ou vontades
Somente fonte do que é,
Sem impossíveis saudades.

Não digo além das formas.
Essas que são obras do ser.
Mesmo que confusas ou calmas,
Em pensamentos a entreter.

Foi sim persuadir a existência
Sobrevivendo em vestígios,
Ausente de ausências,
Ou inocência de martírios.

Foi reger obras naturais,
Trilhar sentimentos ou vazios
Sem mesmo contradição,
Ou espíritos em destinos.

Ancorar nas águas do céu.
Sem estados ou missões.
Apenas reagindo a instintos,
Pacífico de quaisquer razões.

Foi ser realidade de luas.
Infinitos em liberdade.
Existir a sí mesmo.
Sem qualquer finalidade.

quinta-feira, abril 01, 2010

(Sem mesmo entender - P.M)



Sem mesmo entender
O quanto me resume
Infinito este que me têm,
Traço exílio de autorias.

Sem ao menos violar
Os abrigos do meu ser
Sigo sem mesmo entender,
Os caminhos do além.

Sem ao menos me iludir
Com figurados elogios,
Não mais enterro liberdades
Nas asas do meu peito.

Assim como mortal andarilho
Em ensaios da perfeição
Não mais almejo atos vazios
Na pessoalidade da razão.

quarta-feira, março 31, 2010

(Assim como sombras perdidas - P.M)


Assim como sombras perdidas
Vagando sozinhas na escuridão.
Segue ausente, em partida
Maneira penosa de minha emoção.

Refém de vagos desejos,
Consumindo me em metades
É toda a ausência sentida
Carente de fé, paz ou idade.

Mas em triste motivo, que molda
Meu pequeno universo
Me ilumina a regência assumida
Dentro do peito,
Destes pequenos versos.

terça-feira, março 30, 2010

(Nem o céu ou mesmo o mar - P.M)



Nem o céu ou mesmo o mar
Podem iludir esta tristeza.
Pois ela me têm só de olhar
Cousa qualquer na natureza.

Hoje me surpreende, nada ser.
Visto a liberdade das ausências.
Pairo convicto, longe, enfim
Dos motivos tolos da aparência.

Tudo o que é, não mais se torna.
Nem a felicidade, medida ou fim.
Somente me acomoda agora
Tudo o que não restou de mim.

segunda-feira, março 29, 2010

(Esboço - P.M)


Escorre lágrima de alma
Abrigando todo o silêncio agudo.
Doa-me um pouco desta calma
Mesmo que em estado profundo.

Brinda os meus gestos secos
Banhando me assim em vazão.
Mesmo que de mortais restos
Das vidas que não me terão.

Pois nem o tudo ou o nada
Coisa alguma justifica.
Apenas a ausência amada.
Somente a memória que fica.

domingo, março 28, 2010

(Inócuas Garantias - P.M)



Eles querem divulgar
Todo o cansaço do ser
Transformando esquinas fartas
Em proposta tangível
Para o vazio que resta.

Nem a melancolia
Nem as correntes
São escolhas sensatas
Numa era como esta.

Nem a conquista barata
Se faz de boa proporção
Para a medida desfocada
Da realidade sem princípios.

Para os espiões do cotidiano,
De nada vale o bem.
De nada vale o bom.

Crescem do medo qualificado
Alimentando a corrente previsível
Do caos manipulado
Garantido em contramão.

quinta-feira, março 04, 2010

(Regência - P.M)



Grandiosa por ser o que é
Segue, simples, a obra da vida
Mas sem ser causa ou novidade
Ilusão ou contrapartida.

Vivo, na simples presença colhida,
É tudo aquilo que existe.
Por nao ter consciência ou saída.
Presença feliz ou triste.

É a nascente de um despertar
Sem a lembrança de um motivo.
Delírio mais raro a conjugar
Inexistente razão de sentidos.

Assim como as nuvens do céu.
Refletidas em todo esquecimento
É a realidade desaparecida
Na presença deste momento.

segunda-feira, março 01, 2010

(Imprecisão - P.M)


A idéia perdida
Se faz de partida
Na liberdade da dúvida

Incomoda a razão
Exercita o apelo
Nas fugas do ser

A condição imposta
Se faz de proposta
Em dilema eloquente

Prioriza a vazão
Ilumina o sentido
Do espaço regente.

(De Tudo o que Possa Ser - P.M)



De todas as formas
Guarde as do coração
De todas as forças
As que criam raízes

Dos destinos desse mundo
Os mais passíveis de pureza
De todas as lembranças
As que nascem da beleza

Dos significados
Os que vem da simplicidade
Das poucas certezas
As que não fazem a alma pequena

De todos os caminhos
Os mais verdadeiros
Dos pequenos passos
Aqueles que nos fazem inteiros

De toda pretensão
Aquelas que vem dos sonhos
De tanta emoção
Aquelas que os criam

De toda a realidades
As que nascem da alma
De toda a sabedoria
As advindas do silêncio

De toda pessoalidade
As oriundas da solidariedade
De toda a vida
O que nos faz mais vivos

Do que a vida possa parecer.

sábado, janeiro 30, 2010

(Cortinas - P.M)


Consumidas por poeira e ouro
Perambulam estatuas perdidas
Causas de verdades ocultas
Motivos de teorias falidas

Na inocência nada se vê
Liberdades compradas,
Egos de fogo, cortinas pesadas
Semblantes vazios do amanhecer

Na dormencia do dia
Nas esquinas de papel
Intimidam-se as preces

Nos impactos do silêncio
Nas trevas da fuga
O sistema esquece.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

(Quereres - P.M)



Me perco ao saber
Que sou feito de passos
Entretido nos laços
Da grande vida que me cega

Me acho em contornos
Viajo em vestígios
E de encontro me vejo
Obra atrasada de delírios

Passeando em quereres
Alimentando os seres
Que buscam a ilusão perfeita

Consumindo motivos
Queimando domínios
Dos vícios que não me contentam.

sexta-feira, novembro 20, 2009

(Viver - P.M)


Será que viver é...
Acordar em sonhos
Alimentar-se de desejos
Regar jardins inacabados
Recordar-se do passado
Esquecer-se do que não veio
Sobreviver de simples passos
Libertar-se de falsos anseios
Procurar-se em madrugadas
Despedir-se todas as horas
Encontrar-se no agora
Levar-se nas asas do destino
Sentir mais saudade do que glória
Vivenciar aspectos infinitos
Acostumar-se com a gravidade
Renascer todos os dias
Resumir-se em todos os minutos
Acreditar no impossível
Compreender sem maiores sentidos
Libertar-se em pequenos segundos?

domingo, outubro 11, 2009

(Certeza - P.M)


Digo que caminhei entre mundos
Cavei abrigos, lancei me em espaços
E olhando agora vejo
Que mal sei sobre os passos

Sementes brotaram em silêncio
Reações aprenderam com a vontade
Mas nos sentidos do espírito
Com nada me pareceu a liberdade

Ponteiros bateram
Sentimentos voaram
E o tempo nem perto
De presentes decifrados

Nem a imaginação inundada
Dentro de minha clareza
Me soou semelhante
às as obras da natureza.

sábado, outubro 10, 2009

(Motivos Perdidos - P.M)


Calem-se as bocas
Olhares pesados
Pois o que resta é tristeza
Mentalidades e pecados

Pretensões sem equilíbrio
Crua humanidade
E a introspecção sumindo
Num mar de vaidades

Vestígio de tudo
Num pouco de nada
Egos perdidos
Almas armadas

Condutas marcadas
Poderes covardes
E o céu lastimando
Tristes verdades

Em impulsos desleais
Solidariedade traída
Guerras, miséria, fome
Paz corrompida

Mas as condutas do bem
Ressuscitam a beleza
Fazendo da compaixão
Forma única de riqueza.

quarta-feira, outubro 07, 2009

(Tolices - PM)


Nem sempre estou certo
Do que tenho sido
Mas preservo aspectos
Hora vitais, hora distorcidos
INUTILIDADE

Não sou vítima de significados
Meu mais digno compreender
Se revela em pequenos pecados
Em possibilidades omissas
Na ausência de inocentes verdades
DESAPEGO

Já não me surpreendo
Com tolas vontades
Os fatos só me parecem válidos
Quando livres de qualquer necessidade
PREVISIBILIDADE

E a certeza viciosa
Me parece insegurança
Afogando a diversificação
De mentes que vivem da diferença
REVOLTA

Só a confusão me parece autêntica
Na liberdade do que não se conhece
E os príncipios mais coerentes
Na distância entre realidades e mentes.
ALÍVIO.

sexta-feira, setembro 11, 2009

(Detalhes - P.M)


o silêncio é belo... mesmo que entranhado na ausência
pois nos lembra que a vida está cheia de perdida paciência
enquanto o todo está completo de vácuo
inserido em espaço de pequenos detalhes
nos fazendo menores por sermos unidade
de tudo que nao podemos ser.

quarta-feira, setembro 09, 2009

(Planos de Retrovisor - P.M)


As horas mudam simplesmente
Elas me devem algum tempo
Em recomeço persistente
As sombras vivem das cores

Ela disse pra deixar fluir
Sabe-se bem o que é
As palavras de poder
Segundos de prazer

Compor fases , pactos
É o que a vida nos ensina
Mas somente os ditos atos
É que ditam simples sinas

Levar embora os obstáculos
Bocas, pesados olhares
O mundo não é estático
E nem somos nós

Mas quem sabe do que é feito
Todas essas metas e planos
Venha sussurrar algo real
Grite mais alto o poder desses anos

terça-feira, agosto 04, 2009

(Asas da Vida - P.M)


Nas asas da vida
Sentimentos voam a passar
Regendo em cada instante
Todo momento de estar

Sutil em lapso de desejo puro
Mal me prendo ao chão
Como obra de querer sem vontade
Espírito de apego sem solidão

Raros são os segundos
Que nascem de eterno despertar
Como crianças do destino
Passagem do tempo a brincar

Nas fontes do infinito
As almas são nascentes
E a simplicidade, plenitude
De verdades inocentes

Assim me é a felicidade
Livre como a morte
Cheia de pequenos motivos
Única como sonhos sem cortes

Sobrevivendo em instinto
Não mais sei do que sou
Vou pairando convicto
Longe da certeza, e vou...

segunda-feira, agosto 03, 2009

(Contradição - P.M)

Essa contradição de vida
Oportuna e tão nociva
Alimentando-se de mim
Digerindo tudo que não sou
Em abrigos escancarados

Doando-se em inconstância
De tão amarga sutileza
Rompendo os laços do querer
Suprimindo essência dos passos

Nasce de impulsivo fundamento
De imperfeições anunciadas
Sendo o xadrez de sentimentos
Nos caminhos de liberdade parada

Sobrevindo de selvagem confusão
Nas diversas faces do desejo
Dominante e tão banal
Em blindados olhares do que não vejo

Transitando nas ocas entranhas
Da realidade mal motivada
Nos sentidos viciosos
Da perfeição que não me foi dada.

quarta-feira, julho 29, 2009

(Passagem - P.M)


Coração nos olhos
Ideologia volátil
Sensação em punhos
Realidade ao avesso

Mundo rodando
Antídoto parado
Cabeça aberta
Teoria aparente

Contrapartida real
Morte vivida
Cactos do tempo
Sincero esquecimento

Sentimento tátil
Bela imperfeição
Valor e oposição
Palavras distintas

Pincel e molduras
Conclusão dormente
Passos de aço
Trilhas e compassos

Pensamentos irmãos
Realidade perdida
Lembranças, vontades
Mentiras e verdades

Intensidade e caos
Vestígios e correntes
Liberdade de fogo
Nunca pra sempre...

Sou o que sou.

terça-feira, julho 28, 2009

(Inocente Nitidez - P.M)


É essa atmosfera das vontades
Conturbada e tão em paz
Que vai regando os mistérios
De jardins ausentes que hão de chegar

No vai e vem repentino das asas
Em ritmo tão certo e pesado
Nasce sentido insatisfeito
E tão verdadeiro por não o ser

Sincera me parece a imperfeição
Compondo o que não se pode mudar
Embriagando formas em fuga
De ocos semblantes soltos no ar

Viajantes de causas irreveladas
Seguem almas de apegos solitários
Livres como marés de águas rasas
Duvidosas como estradas sem curvas

Em tempestades de trilhas inacabadas
Vagam escolhas de vidas transitórias
E os motivos vem surgindo do nada
Sem vestígio de razão, nitidez ou glória.

quarta-feira, julho 22, 2009

"A IMAGINAÇÃO É O PENSAMENTO DA ALMA"