sábado, junho 14, 2008

(Ser Oco em Espaço Cheio de Vazio - P.M)


Perante a escada do ser...
Observo o universo a entreter...
Nessa corrida regente...
A eloquência do meu ver...

De tão profundo e inacabado...
Na sobra da alma nua que gela...
Resta me apenas o carnal estado...
Em que me aquece a primavera...

E a imensidão mundana sem direção?
Nesse nosso ver pra todo lado...
Mas sem ângulo, nem compreensão...
Do mais simples existir no vácuo!

Anexos unicamente ao que vemos...
Em bruta desconexão do ser...
Procuramos abrigo terreno...
Perante torta inconstância do saber...

Materialmente acha-se possível ...
A possibilidade do sentido...
Mas penso logo existo?
Ou sinto logo vivo?

Em apurar ambíguo da certeza...
Encontra-se o despertar da mente...
Viva e sem saída...
Grandiosa e incoerente!

No grito da alma por refúgio...
Sente-se a tolice da ilusão...
Clara e ampla, ilustrando o homem...
E calando - o em contradição!

Mas obra ou casualidade...
Pra que dublar a realidade?
Será melhor o fato ou a consequência?
A causa ou a naturalidade?

Um comentário:

Carol Montezuma x) disse...

"Penso logo existo?Ou sinto logo vivo?", ou ainda, "vivo, logo sinto, penso e amo?". Se é válido, poucos descobriram. Talvez nem Hamlet...Talvez nem Shakespeare...
Acredito que a maior riqueza na analogia se configure em se propor, em se permitir...
Por mais "oco" que possa parecer, pode-se medir tempo e espaço num vazio permanete somente à mecânica do nosso corpo, da nossa carne...
Já dizia o mestre Chico Buarque de Hollanda: "...é sempre bom lembrar, que um copo vazio, está cheio de ar..."
Sinceramente? Agradeço a Deus por ter nascido nesse país e ter a honra de poder utilizar essa tal de língua portuguesa, ô moça maravilhosa! Um estupro de sentidos!
A minha verdade, é que somos espíritos imperfeitos, que merecemos as chances pertinentes para a nossa evolução constante...
Que possamos acreditar neste "ser" que se transfigura em "ser homem" mas que não passa de "ser inteligente". Contudo, ainda somos muito apegados à carne, ao chão, aos valores...
Mas basta que se passem uns minutos da eternidade [ou infinito?] para que o alcance seja concretizado...
Me perguntaram :"...será melhor o fato ou a consequência?A causa ou a naturalidade?"
E eu respondo que o fato já é a consequência de uma causa natural do vazio que nossos olhos não vêem!
Fica com Deus!